7.1 Sejano, ainda no princípio de seu poder, queria ser notado por seus bons conselhos, e [Druso] era temido como vingador, não dissimulando seu ódio, mas lamentando-se frequentemente: com o filho vivo, chamar outro como auxiliar do império!
2 E quanto faltava para que ele fosse chamado colega? A ambição do poder encontrava dificuldade no começo; mas, desde que se ingressasse nele, não faltavam favores e servidores. (…)

8.1 Portanto Sejano, julgando que devia apressar-se, escolheu um veneno que, insinuando-se pouco a pouco, desse a impressão de uma doença casual. O veneno foi ministrado a Druso pelo eunuco Ligdo, como se soube oito anos depois. (…)

10.1 Ao contar a morte de Druso, relatei o que foi registrado por autores numerosos e da máxima confiança, mas não poderia omitir um rumor daqueles tempos, forte a ponto de ainda não ter esmorecido.
2 Seduzida Lívia e atraída para o crime, Sejano teria, por meio de depravação, conquistado também o coração do eunuco Ligdo, porque este, por sua juventude e beleza, era querido de seu senhor e contava entre seus primeiros servidores. Depois, quando entre os cúmplices ficou decidido o lugar e a ocasião do envenenamento, a tal audácia chegou Sejano que inverteu os papéis e, denunciando disfarçadamente Druso de querer envenenar o pai, advertiu Tibério de que deveria evitar a bebida que primeiro lhe fosse oferecida na refeição com o filho.
3 Colhido por essa mentira, depois de iniciado o banquete, o velho teria passado a Druso a taça que recebera. Este, bebendo sem consciência e com ânimo juvenil, teria aumentado a suspeita, como se por medo e vergonha tivesse infligido a si a morte que tinha preparado para o pai.

11.1 Esses boatos, lançados entre o povo, além de não serem confirmados por nenhum autor seguro, podem ser prontamente refutados. Pois que homem de mediana prudência — quanto mais Tibério, tão cheio de experiência — levaria à morte um filho, sem ouvi-lo, e com a própria mão, e sem nenhuma possibilidade de arrependimento? Por que, antes, não torturaria o escravo que ministrava o veneno, não procuraria o responsável e, enfim, não usaria, com o filho único e nunca antes suspeito de crime, da mesma temporização e lentidão que lhe eram naturais até para com estrangeiros?
2 Mas, porque Sejano era tido como autor de todos os crimes, e em consequência do excessivo afeto de César por ele e do ódio dos demais por ambos, acreditava-se nos boatos, embora incríveis e horrendos: a opinião pública é sempre muito atroz com respeito à morte dos poderosos.

Autor: Tácito
Obra: Anais
Trecho: Livro IV, capítulos 7-11
Tradução: Francisco Achcar
In: Historiadores latinos, Martins Fontes, 1999.

* O texto aqui reproduzido constitui uma expressão cultural da Antiguidade latina e foi selecionado como amostra exclusivamente para fins de pesquisa. Seu conteúdo não reflete a opinião do professor responsável pela postagem.

Categoria: Historiografia latina , Textos latinos

Tags: