1. Antes do ano 44 a. C., a expressão Idos de Março marcava apenas o dia 15 desse mês, dividindo-o em duas partes. Em março, os Idos caíam nesse dia, visto que nas Calendas (o primeiro dia dos meses romanos, de onde vem a palavra calendário), o pontífice estabelecia que as Nonas de Março seriam no dia 7 (as Nonas eram a segunda parte do mês romano, que correspondia ao dia 5 e, nos casos de março, maio, julho e outubro, ao dia 7). A partir de 44 a. C., essa data passa a ser sinônimo de maus presságios, de dia funesto, pois nos Idos de Março Júlio César foi assassinado no Senado, por um grupo de sicários, dentre eles o seu próprio filho adotivo, Brutus. Relativo a esse fato, tanto Plutarco (César, 63, 4-6), quanto Suetônio (O divino Júlio; 81, 5-9) nos relatam um fato interessante. Estando César oferecendo sacrifícios, o harúspice Spurinna o adverte contra um perigo que não iria além dos Idos de março. Tendo chegado o dia, César zomba de Spurinna, chamando-o mentiroso e dizendo que os Idos haviam chegado e nada lhe havia acontecido. Ao que Spurinna retruca “Chegaram, mas não se foram”. Ao entrar no Senado, César é morto aos pés da estátua de Pompeu. Suprema ironia.

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