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Temos visto com muita frequência a associação da palavra Musa à beleza. Moças belas, ao menos em fotografia, são apresentadas como Musas ou candidatas a ser Musa disto ou daquilo. Como muitas palavras do grego e do latim que, com o passar do tempo, apresentaram uma modificação no seu significado, o mesmo aconteceu à palavra Musa, que ficou mais associada à beleza, do que o ainda persistente sentido inspiratório da veia poética ou artística. Sem uma etimologia definida, há uma corrente que associa a palavra a manqa/no, mantháno, verbo grego com o significado de “venho a aprender”, “saber”, “conhecer”, “compreender”. A característica essencial da Musa não é, pois, a beleza, apesar de a beleza das divindades ser indiscutível. O que faz a essência das Musas é o conhecimento que elas detêm, a memória, visto que elas são filhas do Deus mais sábio, Zeus, e da deusa da memória, Mnemosine. As noves filhas, oriundas das nove noites em que Zeus se deitou com Mnemosine – Calíope, Clio, Erato, Euterpe, Melpômene, Polímnia, Talia, Terpsícore e Urânia -, são, portanto, as guardiãs de um saber inspiratório e também profético, saber que preside as artes e que elas podem inspirar (com o sentido de soprar dentro) aos homens, como bem afirma Hesíodo, na Teogonia.


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